

Roberta Flack, a célebre cantora e pianista cujas baladas emocionalmente ressonantes transcenderam fronteiras musicais e cativaram audiências em todo o mundo, faleceu em 24 de fevereiro de 2025, em Nova York, aos 88 anos. Sua partida marca o fim de um capítulo notável na história da música, deixando para trás uma coleção indelével de sucessos atemporais como "The First Time Ever I Saw Your Face" e "Killing Me Softly with His Song". Esta homenagem irá aprofundar a vida e a carreira extraordinárias desta artista vencedora do Grammy, traçando sua jornada desde suas raízes até seu status icônico no cenário musical.
Nascida Roberta Cleopatra Flack em 10 de fevereiro de 1937, em Black Mountain, Carolina do Norte, sua exposição inicial ao poder da música veio de seus pais. Seu pai, Laron Flack, pianista de jazz e desenhista da Administração de Veteranos dos EUA, e sua mãe, Irene (nascida Council) Flack, organista de igreja, incutiram nela uma profunda apreciação pela melodia e pelo ritmo desde seus primeiros anos. Embora seu local de nascimento fosse Black Mountain, sua família se mudou para Richmond, Virgínia, e acabou se estabelecendo em Arlington, Virgínia, quando ela tinha cinco anos de idade. Foi dentro das paredes da Igreja Episcopal Metodista Africana de Sião de Lomax que seus talentos musicais floresceram pela primeira vez. Lá, ela cantava hinos e canções espirituais, acompanhando o coro ao piano . Ela também encontrou inspiração na música gospel contemporânea que ouvia na igreja batista próxima, admirando as vozes poderosas de Mahalia Jackson e Sam Cooke. Reconhecendo seu talento crescente, seu pai adquiriu um piano velho e usado, no qual ela começou a aprender, muitas vezes sentando-se ao lado de sua mãe. As aulas formais de piano começaram aos nove anos, marcando o início de sua educação musical disciplinada.
Sua dedicação ao piano valeu a pena durante a adolescência, pois ela se destacou na música clássica. Aos treze anos, demonstrou sua habilidade excepcional ao terminar em segundo lugar em uma competição estadual para estudantes negros, interpretando uma sonata de Scarlatt. Essa conquista precoce prenunciou um futuro brilhante na música. Em 1952, com a notável idade de quinze anos, ela recebeu uma bolsa de estudos integral em música para a Howard University em Washington D.C., tornando-se uma das estudantes mais jovens a se matricular. Inicialmente focada na performance de piano, ela mais tarde mudou seu curso principal para voz, revelando uma gama mais ampla de suas capacidades musicais. Seu talento foi ainda mais reconhecido quando se tornou a maestrina assistente do coro da universidade. Um momento significativo em sua jornada educacional foi sua direção da ópera *Aida* de Giuseppe Verdi, que recebeu uma ovação de pé do corpo docente da Howard University, um testemunho de sua liderança e visão artística. Foi também na Howard University que ela formou uma conexão crucial com Donny Hathaway, que mais tarde se tornaria um colaborador significativo em sua carreira musical. Ela se formou em Howard aos dezenove anos com um diploma de Bacharel em Artes em Educação Musical. Sua busca por conhecimento musical continuou com estudos de pós-graduação em Howard, mas estes foram infelizmente interrompidos pelo falecimento repentino de seu pai em 1959, necessitando que ela entrasse no mercado de trabalho para se sustentar. Isso a levou a aceitar um cargo de professora de música e inglês em uma escola secundária segregada em Farmville, Carolina do Norte, onde ganhava um salário anual de US$ 2.800. Ela também passou um tempo ensinando em Washington D.C., demonstrando ainda mais seu compromisso com a educação.
Mesmo dedicada à sua carreira de professora, sua paixão pela atuação permaneceu uma força motriz. Ela continuou a se envolver com a música, aproveitando oportunidades para acompanhar cantores de ópera e se apresentar solo durante os intervalos no Tivoli em Georgetown [22]. Um momento crucial chegou em 1968, quando ela começou um trabalho regular no Mr. Henry's, uma boate localizada em Capitol Hill, em Washington D.C. Inicialmente, seus sets de brunch de domingo lhe renderam modestos US$ 20 por semana [1, 20, 22]. No entanto, seu talento excepcional rapidamente chamou a atenção, e suas apresentações se tornaram uma atração popular, atraindo figuras notáveis do mundo do entretenimento, como Woody Allen, Liberace e Johnny Mathis [20, 22]. Foi durante esse período que o músico de jazz Les McCann a viu se apresentar em um show beneficente. Profundamente comovido por sua voz, McCann desempenhou um papel crucial em sua trajetória profissional ao facilitar uma audição com a Atlantic Records [15, 22]. Essa oportunidade levou ao lançamento de seu álbum de estreia, apropriadamente intitulado *First Take*, em 1969 [1, 15, 22].
Seu verdadeiro sucesso veio com o lançamento da música "The First Time Ever I Saw Your Face". Embora inicialmente apresentada em seu álbum de estreia, a música ganhou força significativa após sua inclusão no filme de Clint Eastwood de 1971, *Play Misty for Me* [1, 2, 12, 14, 15, 20, 22, 23]. A popularidade do filme impulsionou a música ao topo da parada Billboard Hot 100 em 1972 e, em 1973, foi homenageada com o Grammy Award de Gravação do Ano [1, 12, 14, 20, 22, 23]. Esse sucesso marcou um ponto de inflexão em sua carreira, estabelecendo-a como uma grande força na indústria musical. Ela solidificou ainda mais sua posição com o lançamento de "Killing Me Softly with His Song" em 1973 [1, 2, 3, 5, 6, 8, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 23, 24]. Essa música se tornou sua assinatura, ressoando profundamente com o público e também alcançando o topo da Billboard Hot 100 [1, 2, 3, 5, 6, 8, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 23, 24]. Seu impacto foi ainda mais reconhecido no Grammy Awards de 1974, onde ganhou os prêmios de Gravação do Ano e Melhor Performance Vocal Pop Feminina [1, 11, 12, 14, 15, 20, 23]. Seu terceiro sucesso número 1, "Feel Like Makin' Love", seguiu em 1974, consolidando ainda mais seu status como artista de sucesso [1, 10, 11, 25]. Uma conquista notável durante esse período foi que ela se tornou a primeira artista na história a ganhar o Grammy Award de Gravação do Ano em dois anos consecutivos [1, 12, 13, 14, 15]. Além de seus sucessos solo, ela também alcançou reconhecimento significativo por meio de suas colaborações, particularmente com Donny Hathaway. O dueto deles, "Where Is the Love", lançado em 1972, rendeu-lhes um Grammy Award, e "The Closer I Get to You", lançado em 1978, também alcançou sucesso considerável [1, 10, 14, 15, 23]. Mais tarde em sua carreira, ela continuou a produzir duetos de sucesso, incluindo "Tonight, I Celebrate My Love" com Peabo Bryson em 1983 e "Set the Night to Music" com Maxi Priest em 1991 [1, 10, 11, 12].
Ao longo de sua ilustre carreira, Roberta Flack lançou uma coleção de álbuns notáveis que mostraram seu estilo musical e arte em evolução. Sua estreia, *First Take* (1969), lançou as bases para seu som característico [1, 10, 11]. Seguiram-se *Chapter Two* (1970) e *Quiet Fire* (1971), que exploraram ainda mais sua mistura de influências soul e jazz [1, 10, 11]. Seu álbum colaborativo com Donny Hathaway em 1972 foi um sucesso de crítica e comercial [1, 10, 11]. O álbum de 1973, *Killing Me Softly*, provou ser seu maior sucesso comercial, alcançando dupla certificação de platina e solidificando seu lugar entre a elite da música [1]. Ela continuou a lançar álbuns impactantes como *Feel Like Makin' Love* (1975) e *Blue Lights in the Basement* (1977) [1, 10, 11]. Sua jornada musical foi caracterizada por uma habilidade única de fundir elementos de R&B, jazz, folk e pop, um estilo que contribuiu significativamente para o surgimento do formato de rádio "quiet storm", que forneceu uma plataforma para música soul suave e sofisticada [1, 16]. Mais tarde em sua carreira, ela continuou a explorar diversas paisagens musicais com álbuns como *Born to Love* (uma colaboração com Peabo Bryson em 1983), *Oasis* (1988), *Set the Night to Music* (1991) e o introspectivo *Let It Be Roberta: Roberta Flack Sings The Beatles* (2012) [1, 10, 11, 23].
As notáveis contribuições de Roberta Flack para a música foram consistentemente reconhecidas por meio de inúmeros prêmios e honrarias de prestígio. Ao longo da década de 1970, ela recebeu quatro Grammy Awards, um testemunho da qualidade e do impacto de seu trabalho durante esse período [1, 12, 15, 20, 23, 25]. Estes incluíram prêmios por "The First Time Ever I Saw Your Face" (Gravação do Ano, 1973), sua colaboração com Donny Hathaway em "Where Is the Love" (Melhor Performance Vocal Pop por um Duo, Grupo ou Coro, 1973) e por sua música de assinatura "Killing Me Softly with His Song" (Gravação do Ano e Melhor Performance Vocal Pop, Feminina, 1974) [1]. Em reconhecimento ao seu legado duradouro e profundo impacto na indústria musical, ela foi homenageada com o Grammy Lifetime Achievement Award em 2020 [1, 12, 15, 23]. Suas conquistas se estenderam além dos Grammys, pois ela também recebeu um American Music Award de Artista Feminina Favorita de Soul/R&B em 1974 [1, 25]. Suas significativas contribuições para a música e a cultura foram ainda mais reconhecidas com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 1999 [1, 20]. Ela foi introduzida no North Carolina Music Hall of Fame em 2009 e no Women Songwriters Hall of Fame em 2021, consolidando seu status como um ícone musical [1, 20]. Seu compromisso com a educação e as artes foi reconhecido com doutorados honorários da Long Island University em 2017 e do Berklee College of Music em 2023 [1, 23]. Demonstrando sua conexão precoce com seu público e comunidade, Washington, D.C., declarou 22 de abril como o Dia da Bondade Humana de Roberta Flack em 1972 [20]. Mais recentemente, em 2022, ela foi homenageada com o Prêmio DAR Mulheres na História Americana, destacando ainda mais suas contribuições multifacetadas [1].
| Ano | Prêmio | Indicado / obra | Resultado |
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| 1973 | Gravação do Ano | "The First Time Ever I Saw Your Face" | Venceu |
| 1973 | Melhor Performance Vocal Pop por um Duo, Grupo ou Coro | "Where Is the Love" (com Donny Hathaway) | Venceu |
| 1974 | Gravação do Ano | "Killing Me Softly with His Song" | Venceu |
| 1974 | Melhor Performance Vocal Pop, Feminina | "Killing Me Softly with His Song" | Venceu |
| 2020 | Grammy Lifetime Achievement Award (Prêmio Grammy pela Carreira) | Roberta Flack | Venceu |
Em sua vida pessoal, Roberta Flack foi casada com o baixista de jazz Steve Novosel de 1966 a 1972 [1, 20, 21, 26]. Após o divórcio, ela não se casou novamente [26]. Sua família incluía sua sobrinha, a patinadora artística profissional Rory Flack, e seu afilhado, o músico Bernard Wright [1]. Por quatro décadas, ela residiu no Edifício Dakota em Nova York, onde compartilhou uma conexão única com seus vizinhos Yoko Ono e John Lennon. O filho deles, Sean Lennon, cresceu considerando-a "Tia Roberta", ilustrando um forte laço com outra família musical icônica [1]. Seu círculo de amigos se estendeu além da indústria musical para incluir ativistas proeminentes como Jesse Jackson e Angela Davis, bem como a estimada autora Maya Angelou, que coescreveu a música "And So It Goes" para o álbum de Flack de 1988, *Oasis*, mostrando seus relacionamentos diversos e significativos [1]. Seus pais, Laron Flack (1911-1959) e Irene Flack (1911-1981), forneceram uma base sólida para sua vida, e ela era uma de quatro filhos [19, 20, 21].
Além de sua celebrada carreira musical, Roberta Flack demonstrou um profundo compromisso com a filantropia e a defesa social. Em 2010, ela estabeleceu a Fundação Roberta Flack, refletindo sua dedicação em retribuir [9, 13, 14]. A missão principal da fundação é apoiar o bem-estar animal e fornecer oportunidades educacionais em música para crianças, particularmente meninas negras, refletindo sua própria jornada e desejo de capacitar as futuras gerações [9, 14]. Um aspecto significativo de seu trabalho filantrópico foi sua parceria com a Hyde Leadership Charter School no Bronx, Nova York, onde ela fundou "The Roberta Flack School of Music". Esta iniciativa oferece educação musical gratuita para estudantes carentes, proporcionando-lhes a chance de explorar sua criatividade e desenvolver seus talentos [1, 9, 13, 14, 16, 24, 27]. Seu compromisso com o bem-estar animal também ficou evidente em seu papel como porta-voz da American Society for the Prevention of Cruelty to Animals (ASPCA) [1]. Seu apoio se estendeu a várias outras organizações de caridade, incluindo Keep America Beautiful, o United Negro College Fund (UNCF) e a Education Africa, destacando sua ampla gama de interesses filantrópicos [27, 28]. Ela foi uma defensora vocal dos direitos civis, direitos iguais, direitos LGBTQ+ e outras questões sociais cruciais, usando sua plataforma para aumentar a conscientização e promover mudanças positivas [1, 14, 15, 16, 24, 28]. Durante os tempos desafiadores da pandemia de COVID-19, ela participou ativamente de esforços para aumentar a conscientização e arrecadar fundos para a FeedTheChildren.org, demonstrando seu compromisso contínuo em fazer a diferença [13, 14]. Além disso, ela foi membro da Artist Empowerment Coalition, defendendo os direitos e o controle criativo dos artistas [1].
O legado de Roberta Flack como uma das vozes mais influentes da música popular dos anos 1970 é inegável [1, 15]. Ela é reconhecida como uma pioneira na mistura de jazz, blues, soul e pop, uma fusão que deu origem ao gênero "Quiet Storm", alterando para sempre o cenário da música contemporânea [1, 16]. Suas baladas emocionalmente carregadas e que desafiam gêneros serviram de inspiração para inúmeros artistas de vários estilos musicais [14, 15]. Sua conquista inovadora como a primeira artista a ganhar o Grammy Award de Gravação do Ano em dois anos consecutivos permanece um testemunho de seu talento excepcional e do profundo impacto de sua música [1, 12, 13, 14, 15]. O apelo duradouro de suas músicas é evidente nas inúmeras versões de outros artistas, principalmente a versão vencedora do Grammy dos Fugees de "Killing Me Softly with His Song", que apresentou sua música atemporal a uma nova geração [11, 12, 14, 15, 23]. Mesmo nos tempos recentes, sua influência continua a ser sentida, com artistas contemporâneos como Beyoncé reconhecendo sua significativa contribuição para a história da música [12]. Além de suas conquistas musicais, seu compromisso inabalável com o ativismo social e a filantropia solidificam ainda mais seu legado como uma artista multifacetada que usou seu talento e influência para defender causas importantes e causar um impacto positivo no mundo [14, 15, 16, 24, 28]. Suas próprias palavras, compartilhadas em seu livro infantil, oferecem um vislumbre de seu ethos artístico e filantrópico: "Encontre seu próprio 'piano verde' e pratique incansavelmente até encontrar sua voz e uma maneira de colocar essa bela música no mundo" [16, 24].
O falecimento de Roberta Flack representa uma perda significativa para a comunidade musical global. No entanto, sua voz poderosa e profundamente comovente, juntamente com sua coleção de músicas atemporais, sem dúvida continuarão a inspirar e ressoar com o público por gerações. Seu legado como artista pioneira, filantropa dedicada e defensora apaixonada da justiça social será lembrado com profundo respeito e admiração. Ela deixa para trás uma obra extraordinária e serve como um exemplo brilhante do poder transformador da música para tocar corações e efetuar mudanças positivas no mundo.